A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma triste realidade, que rouba o destino e gera consequências muito profundas na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. E essa realidade está mais próxima de nosso cotidiano do que podemos imaginar. Isso porque, em cada dispositivo conectado à Internet, existe a possibilidade de se acessar uma quantidade infindável de imagens e vídeos pornográficos, gratuitamente, a apenas um clique de distância.

Muitas pessoas não compreendem essa relação, pois pensam que a pornografia é algo inofensivo, ou até mesmo positivo. No entanto, as relações que há entre a pornografia e a violência sexual são claras:

1 – Em sua definição, exploração sexual inclui pornografia

A violência sexual pode ocorrer de duas maneiras: o abuso, que é qualquer forma de contato e interação sexual entre um adulto e uma criança ou adolescente, em que o adulto, que possui uma posição de autoridade ou poder, utiliza-se dessa condição para sua própria estimulação sexual, da criança ou adolescente, ou ainda de terceiros, podendo ocorrer com ou sem contato físico. A outra forma de violência sexual é a exploração, que é a utilização sexual de uma pessoa com a intenção de gerar lucros. Por definição, a exploração sexual ocorre em redes de prostituição, redes de tráfico, turismo sexual e pornografia [1].

2 – A indústria pornográfica é extremamente violenta

Para a maioria absoluta das atrizes e atores que fazem parte da indústria pornográfica, seu cotidiano consiste basicamente em uma combinação de violência física e psicológica, e o consequente uso de drogas para suportar o sofrimento. É paradoxal perceber que muitas meninas procuram oportunidades na indústria pornográfica para deixar uma situação de miséria, mas simplesmente acabam entrando em outra. Em mais de 88% das cenas pornográficas há algum tipo de violência física e em mais de 94% das ocasiões as vítimas são mulheres [2]. E essa situação se torna ainda mais grave quando se observa que 20% de toda a pornografia online envolvem crianças que são vítimas do tráfico de pessoas [3].

3 – A pornografia transforma as opiniões de seus consumidores

Pesquisadores das universidades do Alabama e Indiana, nos Estados Unidos, constataram que, quanto mais uma pessoa é exposta a pornografia, mais tolerante ela se torna com relação ao crime de estupro. O estudo mostrou que, para as pessoas que não são expostas a pornografia, a pena para esse crime seria de 12 anos de prisão. Já para aquelas pessoas expostas a conteúdos pornográficos, a pena deveria ser muito menor: apenas 6 anos [4].

4 – A pornografia influencia os comportamentos de seus consumidores

De acordo com a socióloga Jill Manning, pesquisas indicam que o consumo de pornografia está associado ao aumento do interesse por práticas sexuais violentas ou abusivas [5]. Como grande parte do conteúdo pornográfico apresenta violência, a influência que exerce sobre seu consumidor é direta, causando aumento na incidência de comportamentos agressivos que, em alguns casos, podem até mesmo se tornar incontroláveis.

5 – Cada vez mais crianças e adolescentes consomem pornografia

No Brasil, a média de idade com que uma pessoa tem seu primeiro contato com conteúdo pornográfico é de 12 anos [6]. E, ainda que esse primeiro contato não seja intencional, ao longo do tempo essa situação se inverte, e a maior parte das crianças e adolescentes passa a procurar pornografia ativamente [6]. Antes de atingir a maior idade, 39% dos meninos e 23% das meninas já terão visto cenas de sexo violento e submissor na Internet [7]. Quando uma criança ou adolescente tem acesso a conteúdo pornográfico, está sujeita aos mesmos impactos descritos anteriormente. Suas opiniões e comportamentos são transformados, enfrentando ainda o agravante de que, sendo um indivíduo em formação, esses impactos tendem a ser ainda mais profundos.

O que você pode fazer?

A pornografia tem diversas relações com a realidade da violência sexual contra crianças e adolescentes. Deixar de clicar em conteúdo pornográfico é reduzir a demanda pela produção desse tipo de conteúdo, e também é uma forma de proteger sua mente e corpo de serem influenciados de maneira negativa.

Além disso, nós, do projeto “O mal que eu não quero” queremos convidar você a fazer algo muito efetivo: com sua contribuição, nós podemos colaborar para o resgate de crianças que são vítimas da exploração sexual. Saiba mais, acessando:

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Compartilhe este texto, levando adiante a conscientização e a oportunidade de ajudar. Junte-se a nós nesse combate!

Referências:

  1. Entenda a diferença entre abuso e exploração sexual. 2013. Disponível em:http://www.childhood.org.br/entenda-a-diferenca-entre-abuso-e-exploracao-sexual
  2. BRIDGES, A.; WOSNITZER, R.; SUN, C. e LIBERMAN, R. Aggression and sexual behavior in best-selling pornography videos: a content analysis update. In: Violence Against Women 16. 2010.
  3. RESCUE FREEDOM. What is trafficking. Disponível em:http://www.rescuefreedom.org/our-work/what-is-trafficking/
  4. ZILLMANN, D. e BRYANT, J. Effects of massive exposure to pornography. 1988.
  5. MANNING, J. Hearing on pornography’s impact on marriage and the family. 2005.
  6. DOLNY, M. Hábitos no consume de pornografia. Hora Luterana, São Paulo: 2017. Disponível em: http://www.omalqueeunaoquero.com.br/ebook
  7. SABINA, C.; WOLAK, J.; FINKELHOR, D. The nature and dynamics of internet pornography exposure for youth. In: CyberPsychology & Behavior, 11 (6), 2008.

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