No Brasil, a faixa etária dos 13 aos 17 anos é a que consome pornografia com maior frequência. Livrar-se desse hábito ou ajudar alguém nesse processo pode não ser tarefa simples, e por isso é importante conhecermos as principais peculiaridades da adolescência, com relação ao consumo de pornografia.

A primeira vez em que eu vi pornografia foi aos 9 ou 10 anos. Não lembro exatamente da idade, mas lembro claramente qual foi a imagem que me mostraram, apesar de nunca mais tê-la visto novamente. A capacidade da visão humana é impressionante. De acordo com pesquisadores do MIT, 13 milissegundos de exposição são suficientes para que os olhos vejam e o cérebro identifique uma imagem [1].

1) Esta é a primeira geração superexposta à pornografia

A partir da virada do milênio, experimentamos a conexão em alta velocidade com a Internet. Com isso, em poucos segundos uma pessoa consegue ter acesso a trilhões de vídeos pornográficos. Nascidos nesse contexto, os adolescentes de hoje são a primeira geração que pode facilmente ver sexo de todas as maneiras imagináveis antes mesmo de dar seu primeiro beijo.

O problema é o tipo de informação sobre sexualidade que se pode receber da pornografia. Pesquisas demonstram que, antes de atingir a maior idade, 39% dos meninos e 23% das meninas já viram cenas de sexo extremamente violento e submissor na Internet [2]. A exposição a esse tipo de conteúdo pode ter grande influência na vida de um adolescente, transformando suas opiniões e comportamentos.

Infelizmente, não podemos controlar o que é produzido pela indústria pornográfica, mas podemos evidenciar seus problemas e propagar uma visão positiva da expressão sexual, que envolve cuidado e carinho com o próximo.

2) O cérebro em desenvolvimento é mais vulnerável

A dopamina (de onde vem a expressão “estar dopado”) é um neurotransmissor produzido pelo corpo quando se tem uma experiência excitante. Pode ser algo como ver um belo pôr-do-sol, brincar em uma montanha-russa, ou até mesmo usar drogas ou ver pornografia.

Nessas situações, a dopamina é liberada no cérebro gerando satisfação e calmaria, e gravando em nossa memória a lembrança de que essas experiências nos trazem prazer. Quando o fator de estímulo é prejudicial, como as drogas ou a pornografia, a repetição contínua dessa experiência pode levar a um vício.

Adolescentes são ainda mais vulneráveis, porque o sistema de recompensas no cérebro de uma pessoa nessa faixa etária tem uma intensidade de 2 a 4 vezes maior do que o de um adulto [3]. Isso implica vulnerabilidade, mas também demonstra um potencial para aproveitar ao máximo as experiências prazerosas e saudáveis (o pôr-do-sol, a montanha-russa, etc) – muitas vezes, só lhes falta alguém disposto a incentivar e participar desse processo.

3) A reação aos comportamentos pode impactar a formação da identidade

A adolescência é uma fase de muitas mudanças e adaptações, não somente físicas e neurológicas, mas também na personalidade e identidade. Um dos maiores riscos que corremos ao tentar ajudar alguém em sua luta contra a pornografia é reforçar sua culpa, sem demonstrar as soluções para o problema.

Quando tratamos uma pessoa que vê pornografia como “pervertida”, estamos dizendo que seus comportamentos definem sua identidade. No entanto, mesmo que essa prática seja prejudicial, ela não pode definir quem a pessoa é. Não somos um resultado de nossos comportamentos, mas nossos comportamentos resultam de quem somos.

Somos todos falhos, e precisamos de ajuda. Melhor do que simplesmente derramar mais culpa sobre essa pessoa é orientá-la sobre os problemas da pornografia, e oferecer apoio e compreensão para sua luta.

O que você pode fazer?

Conhecer as diferentes maneiras como a pornografia pode impactar adolescentes é extremamente importante para nos engajarmos nessa luta. Compartilhe este texto para que mais pessoas compreendam essa realidade!

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Referências:

  1. POTTER, Mary et al. In: MIT Neuroscientists find the brain can identify images seen for as little as 13 milliseconds. Disponível em:http://news.mit.edu/2014/in-the-blink-of-an-eye-0116
  2. SABINA, C.; WOLAK, J.; FINKELHOR, D. The nature and dynamics of internet pornography exposure for youth. In: CyberPsychology & Behavior, 11 (6), 2008.
  3. STURMAN, David A. Reduced neuronal inhibition and coordination of adolescent prefrontal cortex during motivated behavior. In: The Journal of Neuroscience 31, no. 4, 2011.

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