Com uma câmera em mãos, qualquer pessoa pode passar de simples consumidor para protagonista na criação de conteúdo pornográfico.

A popularização de smartphones, que conciliam câmeras a uma conexão direta com outras pessoas, por meio da Internet, viu surgir também o fenômeno conhecido como sexting. Esse termo vem da contração dos termos em inglês sex (sexo) e texting (enviar mensagens via celular), e se refere ao envio de imagens por celular, em que o próprio remetente ou um terceiro está nu ou seminu.

Parece algo distante? Ousado demais? Bem, a realidade é que esse é um fenômeno mais comum do que você pode imaginar.

É o que revela o relatório da recente pesquisa “Hábitos no consumo de pornografia”, que analisou as respostas de 400 pessoas a diversas questões relacionadas ao consumo de pornografia, relacionamento virtual e nudes, e as motivações e sentimentos envolvidos nesses comportamentos. Os resultados demonstraram que o sexting é uma prática muito comum, especialmente para adolescentes e jovens adultos (Figura 1).

70,59% das pessoas entre 13 e 17 anos já viram imagens com nudez de alguma pessoa que conhecem. Entre 18 a 24 anos a porcentagem cai para 67,70%, diminuindo mais um pouco para a faixa de 25-30 (54,21%), 31-50 (49,48%) e aqueles com 51 anos ou mais (42,86%).

Quem manda mais “nudes” no Brasil?

No Brasil, se tornou conhecida a expressão “manda nudes”, que basicamente se refere ao pedido que uma pessoa faz para que a outra lhe envie imagens pessoais revelando sua própria nudez. A seguir, veremos as estatísticas relacionadas a essa prática, de acordo com a faixa etária, estado civil, gênero e religião.

Por faixa etária

Enquanto a prática do sexting é comum entre adolescentes, enviar nudes próprios ou pedir os nudes de alguém já não é uma característica tão presente nessa faixa etária, sendo mais comum entre jovens adultos, ou adultos.

No primeiro caso, de 18 a 24 anos, 39,62% já enviaram seus próprios nudes e 45,91% já pediram nudes de alguém que conhecem. Na outra ocasião, de 25 a 30 anos, 48,11% já enviaram para outras pessoas e 43,95% já pediram (Figura 2).

Por estado civil

Com relação ao estado civil, os solteiros são quem mais envia (40,17%) e pede (46,67%) imagens com nudez (Figura 3). No entanto, grande parte dos casados também já realizou envios (28,57%) e pedidos (30%) de nudes.

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Por gênero

Mulheres e homens enviam nudes de si mesmos com praticamente a mesma intensidade. São 37,62% das mulheres e 38,97% dos homens. Mas, quando se trata de pedir nudes para outra pessoa, os homens são maioria: 47,26% deles já o fizeram, em comparação com 27,72% das mulheres. (Figura 4).

Por religião

Com relação à fé, as pessoas que disseram não se identificar com nenhuma religião são as que mais enviam (60,61%) e pedem nudes (66,67%). Entre os religiosos, os católicos são os que mais enviam (52,38%) e pedem (59,09%), e os protestantes os que apresentam menor intensidade nessa prática: 36,11% afirmam já ter enviado nudes de si mesmo e 36,61% já pediram os nudes de outra pessoa (Figura 5).

Por que os brasileiros mandam nudes?

Os motivos para que uma pessoa compartilhe suas próprias imagens, revelando sua intimidade, podem estar relacionados a impulsos sexuais ou desejos por popularidade, bem como a necessidade de satisfazer os pedidos de outras pessoas significativas, como namorados ou pessoas com quem se deseja ter um relacionamento.

Conforme os resultados encontrados na pesquisa, mais de 60% das pessoas que já enviaram nudes e pouco mais da metade (52,44%) daquelas que já pediram nudes para alguém fizeram isso no contexto de um relacionamento de namoro (Figura 6).

No entanto, um dos maiores motivadores para essa prática é a própria cultura. Conforme Carlson e Roseboro, “a “autopornografia” é cada vez mais presente em uma cultura “pornificada”, que encoraja e recompensa os impulsos pornográficos. Mulheres como Kim Kardashian, Pamela Anderson e Paris Hilton são exemplos de que expor sua intimidade pode transformar uma pessoa em celebridade” [1].

Diante dessa realidade, Peterson-Iyer ressalta que muitas pessoas que enviam ou recebem essas imagens não percebem as sérias implicações sociais, legais, emocionais e psicológicas que podem decorrer, principalmente quando as imagens são compartilhadas sem o consentimento da pessoa fotografada. E não são poucos os relatos de vítimas que, devido ao trauma de terem sido violentadas ou à pressão psicológica da exposição, enfrentam repúdio social ou bullying, depressão, e algumas chegam até mesmo a cometer suicídio [2].

O que você pode fazer?

Independente do que a cultura nos diga, ou do que um(a) namorado(a) nos peça, você não precisa mandar nudes. Mandar nudes é tirar de si mesmo grande parte de seu valor. Lembre-se: você não é apenas a aparência do seu corpo, mas tem uma identidade muito rica, cheia de sentimentos, sonhos e experiências. Não despreze sua personalidade, e nem a de outras pessoas. Aja com amor, e tenha a corajosa atitude de ir contra a maré. Não mande nudes!

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Referências:

  1. CARLSON, D.; ROSEBORO, D. The Sexuality Curriculum and Youth CulturePeter Lang: 2011.
  2. PETERSON-IYER, K. Mobile porn? Teenage sexting and justice for women. Journal of the Society of Christian Ethics 33 (2): 93-110, 2013.

Para conhecer os dados mais recentes sobre hábitos no consumo de pornografia no Brasil, e as opiniões de especialistas no assunto, baixe gratuitamente o relatório “Hábitos no Consumo de Pornografia”.

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